Ninho de sonhos
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A Malévola que Aprendeu a Cuidar dos Sonhos

Um conto de ninar suave para o podcast "Ninho de sonhos" sobre uma fada poderosa e mal-humorada, inspirada na Malévola dos contos de fadas, que vive sozinha em uma floresta mágica. Em uma noite de festa no castelo, ela lança um feitiço por se sentir excluída, mas, ao longo da história, descobre a doçura de cuidar da pequena princesa e dos sonhos das crianças. O episódio começa com um momento guiado de relaxamento para ajudar a criança a desacelerar, respirar fundo e pegar no sono com segurança e aconchego.

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Chapter 1

Hora de relaxar e entrar na floresta de sonhos

Ana

[calm] Olá, meu amor... aqui é a Ana. Tá na hora de descansar um pouquinho, como quem se enrola numa nuvem bem macia.

Ana

Vamos começar deixando o corpinho bem confortável? Se você puder, deita... escolhe um jeitinho gostoso. Abraça o travesseiro, ou o paninho, ou o bichinho de pelúcia. Isso... bem apertadinho, como um abraço de colo.

Ana

Agora, a gente vai respirar juntinho. Eu tô aqui com você, tá bom? Então, inspira pelo nariz bem devagar... como quem cheira uma flor. Bem suave... um... dois... três... e solta o ar pela boca... como quem sopra uma peninha, bem levinha. Um... dois... três...

Ana

Vamos fazer de novo? Respira... enchendo a barriguinha de ar, como um balãozinho... e solta... deixando o balãozinho murchar devagar, devagarinho. Muito bem.

Ana

Sente os pezinhos. Imagina que eles estão ficando pesados, pesados... como se estivessem dentro de um cobertor quentinho. Agora as perninhas... bem molinhas, sem pressa nenhuma. O barriguinha relaxa... o peito relaxa...

Ana

Os bracinhos ficam molinhos também, como macarrãozinho cozido. As mãos descansam, os dedinhos param de trabalhar. O pescocinho solta... e o rostinho vai ficando calmo, calmo... a boquinha fecha, os olhinhos ficam quase dormindo...

Ana

Enquanto você respira assim, bem tranquilo, uma coisinha começa a acontecer lá na janela. Imagina só... uma luzinha suave aparece. Uma luz redondinha, da cor que você mais gosta. Pode ser azul, rosa, verde, dourada... você escolhe.

Ana

Essa luzinha chega pertinho do vidro e parece que sorri. Ela não faz barulho, só brilha devagar, como vaga-lume. Ela tá te convidando pra passear num lugar muito seguro, muito fofinho. Mas é um passeio de sonho, sem sair da cama, sem levantar.

Ana

Imagina que, quando você pisca os olhos bem devagar, a luzinha entra no quarto, rodopiando pelo ar. Ela toca seu travesseiro, seu paninho, seu bichinho, e tudo fica com um brilho de estrela.

Ana

Ela sussurra bem baixinho, como se dissesse: “Vem comigo, a gente vai bem devagar, eu te protejo.” E então o quarto começa a se transformar, sem pressa. A parede vira céu. O teto vira nuvem. O chão vira caminho macio, todo coberto de folhas que não fazem barulho.

Ana

A luzinha te leva por esse caminho de sonho. Cada passo é tão levinho que parece abraço do vento. Lá na frente, aparece uma floresta... mas não é qualquer floresta. É uma floresta cheia de estrelas penduradas nas árvores, como lanterninhas brilhando.

Ana

As árvores são altas, mas são boas. Elas seguram as estrelas com cuidado, como braços de alguém que te balança no colo. O céu é escuro, mas não é assustador. É um escuro de cobertor, de quarto na hora de dormir, um escuro que dá vontade de bocejar.

Ana

Lá no meio dessa floresta de estrelas, mora uma fada muito poderosa. O nome dela é Malévola. Ela cuida de magias fortes, dessas que brilham verde e dançam no ar. Às vezes ela parece séria, às vezes até meio resmungona...

Ana

Mas aqui, na nossa floresta de sonhos, a Malévola também pode aprender outra coisa: cuidar dos sonhos das crianças. Ela ainda tá descobrindo como faz, como quem aprende uma música nova bem devagarinho.

Ana

Então, enquanto você respira calmo, pensa assim: eu tô entrando numa floresta de estrelas, com uma luzinha que me protege, e lá mora uma fada poderosa, que um dia vai aprender a cuidar muito bem do meu soninho também.

Ana

Respira mais uma vez comigo... enche a barriguinha... e solta devagar... Deixa o corpo ficar cada vez mais molinho, pronto pra ouvir o resto da história, quase, quase dormindo...

Chapter 2

A fada mal-humorada e a festa do castelo

Ana

Lá na floresta de estrelas, bem no meio das árvores brilhantes, existe uma torre alta, mas muito alta mesmo. Nessa torre mora a fada Malévola. Ela gosta de ficar lá em cima, olhando tudo lá de longe.

Ana

Com ela mora um amigo especial, um corvo pretinho, de penas brilhantes. Ele não é assustador, não. Ele é esperto, curioso, e fica sempre voando de um lado pro outro, trazendo notícias do mundo pra Malévola.

Ana

A Malévola costuma ser séria. Às vezes ela resmunga, faz cara feia, fala sozinha. Parece até que não gosta de ninguém. Mas, bem lá no fundo, escondidinho, ela tem um coração. Um coração que quase não aparece, mas que existe, quietinho, esperando um carinho.

Ana

Um dia, o corvo volta do seu passeio e conta uma novidade. Lá perto da floresta, tem um castelo enorme, com bandeirinhas coloridas, janelas acesas e um cheirinho de bolo doce saindo pela chaminé. É dia de festa!

Ana

No castelo, nasceu uma princesinha. Hoje é o dia do batizado dela, um dia de alegria. As outras fadas foram convidadas. Elas chegam voando, com vestidos brilhantes, varinhas cheias de estrelinhas na ponta. Cada uma traz um presente mágico: alegria, risadas, canções...

Ana

A música toca baixinho, como caixinha de música de berço. O salão tem flores, luz de velas, gente sorrindo. A princesinha tá no colo, bem protegida, embrulhada em paninhos macios, como você quando alguém te pega no colo pra dormir.

Ana

Lá da torre, Malévola olha tudo isso. Ela vê as luzes do castelo, ouve um pouquinho da música, vê as outras fadas voando. E sabe do que ela percebe? Que ninguém chamou o nome dela. Não chegou nenhum convite.

Ana

Ela sente uma coisa apertar aqui dentro, no coração. Um misto de tristeza e raivinha. É como quando a gente queria brincar também, mas acha que não foi chamado. O corvo olha pra ela, meio preocupado. Ele sabe que Malévola não gosta de se sentir de fora.

Ana

Então, magoada, Malévola decide aparecer na festa mesmo assim. Ela faz sua magia verde brilhar, se enche de coragem, e com um giro de capa surge no salão do castelo. A música para. Todo mundo olha. Mas lembra: aqui é sonho, tudo é devagar, tudo é macio, nada machuca.

Ana

Malévola fala com voz firme, mostrando que está chateada por não ter sido chamada. A magia verde dança na ponta dos dedos dela, como fumaça brilhante. Ela diz que também quer dar um presente para a princesinha. Só que o presente dela ainda vem do lugar magoado do coração.

Ana

Então ela faz um feitiço: quando a princesinha crescer, um dia ela vai cair em um sono muito profundo. Um sono muuuuito longo. Malévola imagina um descanso sem fim, como se o mundo todo parasse pra ela dormir.

Ana

O salão fica em silêncio. Todo mundo prende o ar. Mas uma das fadas boas, de vestido claro e olhos tranquilos, se aproxima bem devagar. Ela entende que Malévola está ferida por dentro, e decide ajudar.

Ana

Com sua varinha de luz dourada, essa fada suaviza o feitiço. Ela toca o ar e diz que esse sono não vai ser perigoso, não. Vai ser só um sono longo, protegido, cercado de cuidado. Um sono de abraço, um sono de casulo.

Ana

Ela muda a magia, como quem muda a letra de uma música: o sono da princesa será profundo, mas bem guardado. Sem dor, sem susto. Só descanso, como quando a gente dorme e nem vê o tempo passar.

Ana

Malévola escuta isso, meio sem entender. Ela ainda está com o coração todo embolado, mas lá no fundo uma partezinha dela fica curiosa. A fada dourada sorri, como quem diz: “Um dia você vai ver, cuidar também é uma magia muito forte.”

Ana

E assim, naquela noite de castelo e estrelas, o feitiço está lançado... mas também está protegido. E a nossa história segue bem devagar, como balanço de rede, indo e voltando, até chegar na parte em que o coração de Malévola começa a mudar.

Chapter 3

O arrependimento de Malévola e o cuidado com os sonhos

Ana

O tempo passa na floresta de estrelas como passa na sua janela de noite. Devagarinho. A lua vem, a lua vai. A princesinha cresce, lá no castelo, e Malévola observa tudo de longe, lá de cima da torre.

Ana

Ela finge que não se importa, cruza os braços, faz cara de brava. Mas todo dia, um pouquinho, ela olha pela janela. Vê a menina correndo pelos jardins, rindo com as flores, conversando com passarinhos. A doçura da princesa é tão grande que parece luz escapando pelos cantinhos.

Ana

O corvo, curioso, às vezes voa mais perto para espiar. Ele volta e conta: “Ela é gentil com todo mundo... ela gosta da floresta... ela conversa até com as árvores.” Malévola escuta, disfarça, mas por dentro começa a sentir uma coisinha diferente.

Ana

No coração dela, que antes era só um lugar fechado, vai nascendo um fiozinho de carinho. Bem fininho, como um fio de luz. Ela não entende direito. Fica confusa. “Como é que eu posso gostar de alguém que eu coloquei num feitiço?”, ela pensa.

Ana

Às vezes ela até suspira e diz pro corvo: “Eu... eu não sei o que está acontecendo comigo.” E o corvo só pisca, como quem sabe que, quando o coração começa a amolecer, a magia também muda de cor.

Ana

Um dia, chegou a hora do feitiço. A princesa já está mocinha, caminhando curiosa pelo castelo. A magia antiga, aquela do sono profundo, começa a brilhar, chamando, como uma música distante. Malévola sente isso lá na torre e seu peito aperta.

Ana

Ela corre com sua capa, sua magia verde treme na ponta dos dedos. Ela não quer mais que a menina durma daquele jeito. Ela queria poder voltar no tempo, desfazer as palavras ditas com o coração machucado. Mas o feitiço é como uma canção já cantada. Agora ele precisa seguir até o fim.

Ana

A princesa encontra uma roca, um objeto antigo de fiar. Ela toca, a magia se acende, e os olhinhos dela vão ficando pesados... pesados... como os seus quando o sono vem chegando. Sem susto, sem dor. Só um cansaço profundo, um convite pra um descanso bem longo.

Ana

Ela cai em sono profundo, como a fada dourada tinha dito. É um sono protegido. O corpo dela fica quietinho numa cama macia, o rostinho tranquilo, como o seu quando tá dormindo e alguém ajeita o cobertor.

Ana

Malévola chega perto da cama. Olha pra princesa de perto, talvez pela primeira vez assim, em silêncio. E o coração dela, que antes era duro, se quebra em pedacinhos de arrependimento. Ela percebe o quanto gosta daquela menina doce, o quanto queria tê-la conhecido de outro jeito.

Ana

Então ela faz uma escolha nova. Em vez de usar a magia pra afastar, ela decide usar pra proteger. Com um gesto calmo das mãos, Malévola espalha um silêncio mágico por todo o castelo. Um silêncio bom, de biblioteca, de cochilo da tarde, de quarto com luz apagada.

Ana

Flores crescem ao redor, devagarinho, como se o tempo estivesse bocejando. As estrelas lá fora brilham mais forte e parecem chegar pra mais perto da janela, pra guardar o sono da princesa. O ar fica macio, como se todo o castelo fosse um grande colo.

Ana

A princesa dorme, mas seus sonhos estão cheios de luz. Malévola fica de vigia, lá no alto, com o corvo ao lado. Ela promete pra si mesma: “Eu vou cuidar dela. Eu vou ficar aqui, tomando conta de cada suspiro, de cada sonho.”

Ana

E conforme a noite segue, Malévola descobre uma coisa muito importante: a magia dela é muito mais bonita quando protege, quando abraça, quando faz o mundo ficar seguro pra quem dorme.

Ana

Ela olha pra floresta de estrelas e, de repente, pensa em você. Sim, em você que tá aí deitadinho, ouvindo, quase dormindo. O coração dela, agora mais macio, estica sua magia até o seu quarto, até a sua cama.

Ana

Imagina um véu de luz suave descendo sobre você. Pode ser verde, dourado, da cor que você preferir. Essa luz cobre seu travesseiro, seu paninho, seu bichinho. Ela diz bem baixinho: “Tá tudo bem. Eu tô aqui. Pode dormir tranquilo, eu cuido dos seus sonhos.”

Ana

Eu, Ana, também tô aqui em pensamento, mandando um colo de história. Você está seguro, segura. O quarto está calmo. As paredes conhecem sua respiração. A cama conhece o seu jeitinho de deitar.

Ana

Respira mais uma vez comigo, bem devagar... enche a barriguinha... e solta... Deixa os olhos pesarem, como duas pedrinhas de rio que gostam de ficar bem quietinhas no fundo da água.

Ana

Se o sono já chegou, pode se entregar. Se ainda tá chegando, devagarzinho, pode continuar ouvindo o silêncio, sentindo o corpo ficar cada vez mais molinho. Malévola cuida da princesa lá no castelo, e, nesta noite, promete cuidar também dos seus sonhos.

Ana

Agora eu vou falando cada vez mais baixinho, pra você poder ir embora pro seu mundo de sonho... Vai descansando... tudo está seguro... tudo está calmo... e a gente se encontra em outra noite, em outra história, quando você acordar e quiser ouvir mais. Por enquanto... é só dormir...